CANTINHO DO LEITOR



Como já falei uma vez, gosto de interagir com quem me lê. Além de ser uma forma de travar um diálogo sadio, ainda me dá a possibilidade de conhecer e analisar. Creio que é só através da interatividade que temos a possibilidade de crescer e aprender.


Há muito tempo não abro o e-mail do PovoBunda e só agora vi a notificação de um comentário sobre o um texto escrito no dia 8 de agosto do ano passado. O comentário foi feito no dia 24 de janeiro deste ano e vem abaixo:


"[Paulo Campos]
Sabe de uma coisa, lendo todas as suas criticas sobre Manaus, só agora entendo sua mágoa e derrota, porra, juro que lendo o que vc escreve jurava que vc era no mínimo uma antiga moradora de alguma cidade da europa, kk, mas fala sério, viveu toda a sua vida falida em ARACAJÚ ?, KKKK, e ainda quer falar alguma coisa de Manaus ? quem é ARACAJÚ na fita ?, porra de cidade pobre do nordeste que não faz diferença nenhuma pro Brasil, na boa, volta de onde vc veio, vai trabalhar na roça e comer rapadura, Manaus não é pra vc não, vc e seu intelecto superior é damais pra nós meros índios subdesenvolvidos, sua cabeça chata de nodestino e seu palavreado chulo tem mais serventia em ARACAJÚ ! , fala sério !"


Primeiro de tudo, meu querido Paulo Ramos: vá aprender a escrever corretamente. Não só fica mais bonito pra você como pessoa, mas é menos vergonhoso se mostrar, ao menos, à altura daquele a quem você critica. Só um exemplo disso é que a palavra ARACAJU não se acentua, ok? Por essas e outras siga o meu conselho de nunca participar daquele programa "Você é mais inteligente que um aluno de 5ª série?".


Como já escrevi antes, volto a repetir: o blog é meu. Não escrevo para o seu deleite, mas para o meu bel-prazer. São minhas opiniões, minhas impressões. Você tem todo direito de não gostar e eu de criticar o que me apetece.


Mas vamos ao alvo do nosso embate: Manaus.


Este mês completei 7 meses na cidade. Meses de muita luta, de estudos pra passar em concursos, muita batalha atrás de emprego, de fazer contatos. De conhecer amigos, de me apaixonar (sim, eu sou normal, eu me apaixono de vez em quando). Mas foram tempos, principalmentem, de crescimento pessoal. Vamos deixar essa parte piegas de lado porque essa é a hora da verdade.


Prezado Paulo Ramos, sua ignorância - não só ortográfica - beira quase o absurdo. Porém, não vou caçoar mais de você porque acho que você já deve sofrer demais em saber da sua condição.


Independente do lugar onde eu nasci e cresci, eu tenho senso crítico - o que já me coloca num patamar bem acima do que você vive -. Se eu saí de Aracaju (sem acento galera) é porque não via o quanto poderia progredir lá e decidi arriscar numa nova cidade. O fato d'eu reclamar dos problemas daqui não coloca Aracaju (galera, sem acento, já falei) e nem canto nenhum como lugar perfeito do mundo. Povobunda e Governo de merda há em todo canto. Todavia, o que detectei é que aqui o pensamento é tão retrógrado que só afirma o que minha tia diz: "Débora, Manaus é tão atrasada, que até a hora é uma a menos da de Brasília."


Ao contrário do que você pensa, Aracaju (Paulo, meu anjo... sem acento, viu?) é tão insignificante que até o ano de 2008 era considerada a melhor capital do Brasil para se viver. Não me gabo, até porque o ano passado, perdeu essa posição, caindo no ranking drasticamente. Lá há problemas (e eu passaria A VIDA escrevendo sobre eles aqui). Entretanto, acredito que as coisas não beiram as raias do grotesco como nesta cidade, "a porta de entrada da Floresta Amazônica". Manaus, devido às suas proporções e ao tanto que se exalta de importância, devia ser NO MÍNIMO tão desenvolvida como uma megalópole, a exemplo de São Paulo. Querido leitor indignado, aqui é a entrada do pulmão do mundo, do maior ecossistema do planeta. Mas ande pela cidade e me diga o nome de uma avenida arborizada que eu lhe pago um jantar no Tropical Hotel. Me explique porque ESTAMOS NO ANO DE 2010 e até o momento não há fibra ótica em toda a cidade. ME EXPLIQUE PELO AMOR DE DEUS porque as políticas públicas aqui não funcionam, já que muito se alardeia de que Manaus isso, Manaus aquilo, Manaus cidade sede da Copa, Manaus Floresta Amazônica... Não cansarei de repetir nunca: só gosta daqui ou quem é turista e não vive a realidade desta cidade atrasada ou quem tem condições de não precisar conviver de perto com a falta de estrutura, com as más condições dos transportes, com a falta de segurança e de políticas voltadas para o todo e não para a meia dúzia e aquela história que todos já conhecem sobre "como governar uma cidade controlando os jagunços sem perder o posto de coronel".


Terça-feira passada completou um mês que tive o prazer de acordar com um revólver 38 cromado na minha cabeça. Levaram tudo que eu tinha de valor (meu notebok foi nessa, com tese de mestrado, o livro que eu estava escrevendo e uma caralhada de coisa). Mas não levaram somente isso. Levaram meu sossego, minha paz e minha esperança em conseguir progredir numa terra que se diz de Primeiro Mundo, porque Zona Franca isso, porque investimentos estrangeiros aquilo... Você sabia que no seu Estado (se é que você é daqui) tem como parcela mais abastada e influente as pessoas que vêm de fora? E você sabia que são essas mesmas que fazem o que querem porque PESSOAS COMO VOCÊ são conformistas ao extremo pra achar que tudo está indo às mil maravilhas? Pois é, depois de aprender a escrever, vá exorcizar um pouco essa sua passividade, pra ver se melhora algo em sua vida.


Peço licença e agradeço a todos pelas oportunidades de emprego e pela acolhida ( principalmente aos amigos que fiz e os laços de amizade e coleguismo que estabeleci), mas vou voltar pra minha cidade que se escreve sem acento na rima de quem não sabe nem o básico de português. Aqui encontrei pessoas inteligentíssimas, companheiras, acolhedoras, engraçadas e divertidas. Encontrei gente trabalhadora e que luta pelos seus ideais. Não só individuais, mas coletivos também. Na verdade encontrei de tudo, como encontraria em qualquer lugar (eu e minha teoria de que as pessoas em sociedade são praticamente as mesmas, só mudam o cenários). Mas na maioria do tempo, além de me deparar com situações como estas do roubo, dei de cara até com profissionais da comunicação onde tive a graça de refazer textos de matérias, que iam ao ar em menos de uma hora, onde o presente da terceira pessoa do singular do verbo "conseguir" se conjuga: "ele conseguI". Isso mesmo, com I no final, ao invés de "ele conseguE".Só não falo o resto porque se não posso tomar processo, já que os fatos podem identificar pessoas muito facilmente (e os ladrões já levaram meu dinheiro todo, não tenho como pagar advogado).


Estou voltando para Aracaju (já mencionei a falta de acento, não?). Minha terra onde muita coisa falta, mas graças a Deus,  falta menos que aqui. Lá a gente não tem nem cabeça chata e nem come rapadura (afinal isso é uma lenda contada a partir de estereótipo de cearense). Do mesmo jeito que não vim pra cá pra ver índio (até porque há mais gente burra andando nas ruas de Manaus do que índio andando aleatoriamente por aí). Provavelmente eu saia de lá de novo pra ver o mundo. Mas tomara que, pelo menos, eu não me depare com pessoas com tamanha ignorância bestial.


Então galera de Aracaju, próximo mês tô chegando. Comecem a estocar as cervejas. E namoradas ciumentas, CORRAM PARA AS COLINAS COM SEUS MACHOS, porque eu vou chegar POCANDO.


Querido leitor Paulo Campos, lhe desejo sorte e sabedoria. E que você consiga um desconto bem legal quando for fazer o supletivo.

 

Qualquer coisa: povobunda@hotmail.com


Grande abraço a todos.

 

 



Escrito por Débora Andrade às 20h24
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Débora Andrade é Radialista, oriunda das terras amaldiçoadas pelo Cacique Serigy. E Povo Bunda não é só aquele que passa diante dos seus olhos. Muitas vezes ele é refletido em frente ao seu próprio espelho.



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