morte natural ou acidental?


MANAUS É UM EQUÍVOCO

 

Conversando aqui com uma colega minha sobre estes primeiros tempos em Manaus e esta minha saga de como sobreviver em uma terra estranha com gente esquisita, lembrei de um fato que me ocorreu no começo da semana passada, quando eu fui na UFAM (Universidade Federal do Amazonas). Fui com o intuito de ter mais informações sobre programas de pós-graduação e bolsas de pesquisa, já que a minha tentativa de fazer o curso de especialização em Criação, Produção e Direção em Cinema na UNINORTE foi por água abaixo diante da informação de que não há alunos suficientes para se abrir uma nova turma. Enfim...

 

UFAM, Núcleo de Pós-Graduação e Mestrado de Ciências Sociais. Lá vou eu toda empolgada conversar com a chefe do departamento que, segundo informações, mantém um grupo de estudos antropológicos em parceria com pesquisadores de Comunicação Social para produção de mateiral audiovisual. Heis que, durante a conversa, falando com a tal dignissima dama sobre a minha pretensão de fazer parte do grupo, ela me vem com a pérola em tom de despeito: "- Qual é o seu real interesse em vir pra cá?! Você não veio à Manaus pra praticar extrativismo cultural que nem a maioria das pessoas que vêm pr'aqui, né?". Claro que eu vou fazer extrativismo cultural, minha senhora... porque eu, COM CERTEZA, vou chegar POCANDO em Sergipe levando o Garantido e o Caprichosos pra dançar boi. Agora me diga o que passa na cabeça de uma filha de uma... boa samaritana dessas, váá...

 

Diante da frase, eu parei e pensei em fração de segundos comigo mesma "Vou tirar uma com a cara dessa véia ignorante...". Foi aí que, num tom mais sério e compenetrado que o dela, eu disse que em Sergipe as pessoas de fora iam e faziam a mesma coisa com nossas belezas, com nosso suor e com as nossas riquezas. A merda é que minha prima não entendeu que era onda e a tal chefe ficou tentando justificar que o povo amazonense ainda é muito explorado e vive em situação de risco diante destes malditos seringueiros e empresários do ciclo da borracha que vivem explorando nossos índios e desmatando nossas florestas e acabando com nosso ecossistema. MEU CU.

 

Por causa de uma experiência maravilhosa que eu tive na sexta-feira passada no Teatro Amazonas e no Bar do Armando, desde então eu venho lendo coisas sobre a história daqui. Por minhas andanças em pesquisas, acabei encontrando uma crítica fodida à cidade - onde concordei em gênero, número e grau - falando nitidamente sobre a desgraça que é conviver neste pardieiro sujo, que faz um calor do caralho, onde tudo é longe e caro. Como Manaus vai ser uma das cidade-sede da Copa em 2014, vê-se um orgulho muito grande entre os nativos - parece até que o fato fez a capital ter seus problemas sanados -. Dia desses passando por um local onde está tendo obras de recapeamento e abertura de avenida - não me pergunte nome porque eu ainda não decorei (só o do Bar do Armando que é Largo de São Sebastião e o Porão que é na estrada da Ponta Negra) -, vi a discrepância absurda de prédios de milhões de um lado e palafitas dentro de um canal do outro, como se aquilo dali fosse normal, parte da paisagem. Aqui o povo diz que vive na Era do Futuro, onde  tecnologia  e bem-estar já fazem parte do mundo de cada um dos amazonenses... mas até a Internet vendida aqui como 3G funciona em 1A. A fibra ótica está sendo negociada com a Venezuela para chegar aqui. A Zona Franca, uma falácia. Os eletrônicos têm os preços iguais ou maiores que o do resto do país. Mas como?! Simples: aqui eles diminuem os impostos para a fabricação, só que a montagem é feita em outros Estados. Sai do Amazonas como produto genuinamente indígena, vai pra fora e volta superfaturado. Se a coisa fosse tão boa assim como dizem, eu só ia ver índio com notebook na rua e hometheater dentro da oca com tela de LCD.

 

Quem fala super bem de Manaus é porque ou é turista e só viu os pontos turísticos ou é rico e vive na parte nobre da cidade, não mora na periferia que nem eu. Claro que tem coisas lindíssimas, pessoas super interessantes e várias coisas que devem ser elogiadas, como as particulatidades que este lugar possui... mas o fato de haver muita coisa não apaga o que de ruim tem aqui e que precisa ser melhorado E MUITO. Não é porque o Estado possui créditos de carbono, vai ter jogos com times do mundo inteiro em cinco anos e que tem uma floresta que é considerada o pulmão do mundo, que tudo parece com o Jardim do Éden. Esse povo tem que tomar consciência de TÁ RUIM SIM, PORRA! e que se não fizerem nada pra melhorar vai continuar na mesma, com cada vez mais exploração, com cada vez mais ciclos da borracha e extermínio de todas as formas de vida que ainda mantém isso aqui pulsando como a maior diversidade do planeta.

 

Pois é... em um País onde a grande referência de realeza se chama Pelé e num Estado onde a única coisa que se exalta são as frutas e a dança do boi (que nem originária daqui é e sim do Maranhão), não é de se estranhar que as pessoas sejam acomodadas nesta situação de falso bem estar, quando a realidade se mostra totalmente outra. Dizem que pensar coisas boas, faz a gente só enxergar assim... Mas digaê se o poder da mente não é uma coisa impressionante?

 



Escrito por Débora Andrade às 18h07
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