morte natural ou acidental?


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Jornal Correio de Sergipe de sábado. Um pouquinho de promoção pessoal sempre faz bem pro ego. ;]



Escrito por Débora Andrade às 00h00
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Sei lá, são quase sete horas da manhã e eu não consigo pegar no sono pensando no que eu realmente sinto. Os minutos passam e a cada momento estou mais perto do final daquilo que há um tempo vem consumindo meu juízo. Porém, é engraçado saber que, com o término disso, outras coisas também vão acabar. Não acabar e ponto final, mas encerrar para que outras comecem. E é disso que eu tenho medo. Do ciclo que está para se iniciar.

 

Ao meu lado esquerdo eu vejo o meu passado, dormindo e roncando feliz, enquanto pensa na madrugada em que ganhou uma medalha de ouro do inesperado e várias punhetas oníricas a favor da gostosura de um tipo de corpo que nunca se imaginou ter em seus braços. Enquanto aquilo que passou agora sonha, eu sofro de insônia, por me ver no presente de um futuro incerto. E eu não entendo, sinceramente não entendo. Será que de novo e novamente os drinques que eu deveria ter bebido na calada noite poderiam ter resolvido a minha situação, me feito esquecer, outra vez, de que eu tenho capacidade para sentir? Nem sei. Acho que essa sobriedade agora é o que vem me consumindo os neurônios. Pior do que uma ressaca.

 

Ao meu lado direito, nada. Só cobertas e lençóis que serviriam para me proteger do frio, mas que simplesmente se encontram dobrados, como se a necessidade de me esquentar e acolher não fizesse diferença. Também o travesseiro, todo amarrotado no canto, não faz nem idéia do quanto eu precisava estar naquela posição agora, só parada, quieta, esperando que o que vem pela frente deitasse em cima de mim e me abraçasse com toda a certeza de que o sono mais feliz está depositado nos entrelaçados deste algodão que compõe a capa que o forra.

 

E eu olho as horas. Já passa das sete e mesmo assim Morpheus não chega em seu cavalo para me levar ao seu mundo de filosofia pura, que ninguém explica. Tanto não explica, como não aceita essa falta de sentido das coisas. “Por que” é uma constante e como menino que quer saber de tudo, eu penso sobre isso, porém, muitas vezes ninguém tem paciência de dizer o que é. O que vem pela frente não se pergunta a quem está voltando? Mas ninguém volta. E quando volta, não quer contar.

 

Estou indo embora daqui a pouco, mas não consigo descansar e nem parar de pensar. Não consigo conceber que deixarei tudo para trás... casa, família, pertences, amigos e paixões – se é que ainda as tenho, pois vezes eu acho que as matei no meio do caminho de Swann até aqui -. O horizonte está tão próximo, ao alcance da ponta dos dedos e das flores dos jardins onde andei até chegar até esse pequeno castelo escuro, subindo as escadas de madeira fofa, desgastadas não sei nem dizer pelo quê. Esses mesmos dedos, você não lembra, mas lhe tocaram fundo o relógio da alma, até mesmo quando você não queria que chegasse perto para não apressar o tempo que eu acho que não tenho.

 

Não queria levantar da cama, entretanto meu desejo é de fugir daqui em um unicórnio alado para encontrar, quem sabe, o nascer do sol do outro lado do mundo, onde eu sei que você não estará. Ao olhar para a ampulheta, de areia esgotada, e para a pena que repousa no papel em cima da mesa do canto do quarto, tenho vontade de escrever àqueles a quem eu ainda vou conhecer, àqueles que estão lá aonde eu nunca fui, mas que eu vou chegar, pois meu passado repousa e meu futuro me espera. É dia claro, os raios iluminam minha cabeça e esfriam o meu peito, quando deviam amorná-lo ao menos, para que eu não sinta tanto medo.

 

Os ponteiros estão se encaixando, o cansaço se alojando. Para lá é onde estou indo, sem pretensão de voltar. E o sentido, e o passado, e o futuro e o...

 

Olá Morpheus. :)



Escrito por Débora Andrade às 14h37
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