Gente desesperada é coisa, vuh? Inventa armada que o Satanás, em toda a sua grandeza, nunca se aventuraria em fazer nem na pior das hipóteses. E olhe que eu imagino que o Diabo deve aprontar é cada uma... mas essa eu acho que ele não agüentaria não. Mas vamos aos fatos. Eu tenho que terminar minha monografia, entregar ela dia 25 e só tenho metade dela escrita, graças a Jah (o bagüio é loco, vacilô é nóis!). Há tempos que eu me desanimei com esse curso e com essa vidinha de merda de pseudo-futura-radialista. Meu curso de Rádio e TV que dá a nomenclatura de Radialista, hoje se chama Áudio Visual e quando você se forma, vira produtor. Já começa a merda toda daí que a grade quando mudou no final do ano passado trocou seis por meia dúzia... e o pior: aqui no estado você se formar em Rádio e TV é a mesma coisa de se graduar em Jornalismo, sem nem poder escrever pra Impresso e uma ruma de restrição. Dos quase seis anos que eu estou na Universidade levando essa desgraça com a barriga (tempo perdido entre greves – que juntando dá uns seis meses -, adiamento de curso pra poder trabalhar e por causa de uma FDP que me reprovou em duas matérias pré-requisito, aiqueódio!), já passei por muita coisa, já fiz muitas outras, aprendi e desaprendi outras tantas, enfim. Já trabalhei tanto como estagiária, já apresentei programa, já mandei várias matérias como repórter pra rede de uma emissora de TV que eu trabalhava (aff, vou falar tudo não, quer meu currículo, mande recado). O negócio é que, eu gosto de beber. E meu negócio é Skol (e falando em Skol, se tiver alguém que trabalhe na empresa e estiverem precisando de uma pessoa na assessoria de comunicação – eu já tenho DRT de outro curso, viu? – tá aqui uma pessoa limpinha, trabalhadeira, honesta e sabida). Então... coisa que o Cão duvida, monografia, eu cachaceira. Com a falsa esperança de que eu posso e consigo ser uma pessoa diplomada, o que eu fiz? PROMESSA. Pra Santo Antônio, meu padrinho e protetor. Isso mesmo, amiguinhos de mi corazón. Prometi só beber depois que me formasse. Mentira uma tanga. E acreditem... faz DOZE DIAS que eu não coloco uma gotinha sequer do líquido sagrado na boca. Parece que tem mais de mês... *chora litros* Desde que anunciei esta promessa para os meus amigos, parece que começaram a fabricar mais cerveja no mundo inteiro e mandaram tudo pra Aracaju, porque pra TODO LUGAR QUE EU ANDO SAINDO elas surgem, brotam. Sem onda nenhuma, às vezes eu fico me perguntando se não estou tendo visões devido à abstinência. No oitavo dia resistindo às maravilhas extraídas da cevada, me levaram para uma festa. A coisa estava tão tensa que o povo tava bebendo (e dançando) na boca das garrafas. E eu lá, com um copo de REFRIGERANTE, com a maior cara de tabaca de creuza, pensando: “Se eu tivesse bebendo, acho que já estaria aos peidos, me requebrando no meio da galere e me divertindo HORRORES. Por que eu não prometi parar de botar desodorante, de usar tênis, de falar mal da vida alheia? Vai otária, pare de beber...”. Mais foda ainda é quando chegam os seus amigos e fazem você constatar que você fica mais divertida quando está tomando uma. Ok, ok, a maioria dos meus amigos é alcoólatra mesmo. Tudo de família. Mas tudo cachaceiro, fazer o quê? Tá que eles me fizeram gastar uns três meses de salário tudo na mesa do bar, mas eu os amo. De verdade. Tanto quanto amo Skol. E olhe que eu gosto dessa cerveja como gosto da minha vida (alguém da Skol me lendo, pelo amor de Deus?). Tenho que admitir... eu fico amuada mesmo quando fico sem confraternizar ao lado da loirinha. Não que eu seja chata, mas quando o suco de cevadis adentra em meu subconsciente, a coisa muda de figura... eu bebo e viro o Amaury Júnior, um clone da Hebe (arrombada e feia igualzinha, mas gente boa que só). Eu lembro mesmo um dia que eu comecei bebendo com o povo num posto de gasolina, depois num banquinho da Orla e terminei a noite numa bodega lascada virada no raio e fazendo amizade com uma nega lá que queria pegar um macho. Eu fiquei tão brother da mulher, que até dei uma de cupido, escrevendo uns bilhetinhos dela pra o cara da urebona de abano que ela cismou que era lindo... feio não, o crico (que Jesus tenha misericórdia daquele indivíduo). E o mara é que ela me abraçou na hora de ir embora, me agradeceu e ainda pagou pra tocar no bar duas músicas de Calypso (logo de quem... da MUSA-MOR!). NAONDE que se eu tivesse sóbria eu ia ter essa desenvoltura? Por isso que dizem que não se faz amigos bebendo leite. Então, o negócio é o seguinte: apesar de achar que esse troço desse TCC não vai sair (Santo Antônio, me ajude, é nóis mano, abandone não...) , vou cumprir essa bagaça até o prazo final de entrega. Se eu terminar, vou beber Skol (gente, assessoria, ói eu aqui defendendo a empresa com unhas e dentes e fígado e rins e tal) até o fiofó cantar “parabéns pra você”. Se eu NÃO terminar, virarei straigh-edge. Claro, depois de tomar o maior porre de minha vida. E quem quiser ser meu amigo quando eu tiver empenando os picuá na beira da rua, trupicando de manguaça, tamo aê. É dessa mermo. Porque quem não bebe não tem amigos. E nem história. E fia dacorró se eu num bebia um engradado sozinha agora. De SKOL. É claro. ** E eu que descobri que tem Skol aqui, onde eu to passando uma temporada, à DOIS MÍSEROS MANGOS?! E ainda mais... GE-LA-DA. Tira essa tentação de perto de mim, Senhor. Tira... :(
Escrito por Débora Andrade às 00h39
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Sabe aqueles dias que você precisa de um abraço bem dado, daqueles tão gostosos que você se aninha todo nos braços da outra pessoa? Queria um desses agora. Pensei até em falar isso pro meu ex-namorado - que hoje em dia é meu AMIGO DE VERDADE VERDADEIRA TRUE FROM HELL 666 - e que está me abrigando por uns dias enquanto eu tento terminar o TCC (eu acho que eu vou ser a primeira pessoa a desistir de uma monografia nos 47 do segundo tempo, mas isso é assunto pra outra hora), mas hoje é madrugada, Dia dos Namorados e ele pode interpretar mal.
Na verdade esse abraço não se trata de carência afetiva, falta de vontade de pegar alguém ou me sentir amada. Hoje dois amigos vieram me visitar aqui no meu calabouço e me mostraram o quanto gostam de mim, ao ponto de se desbancarem do outro lado da cidade pra me dar um xêro. Hoje também meu peguete da amizade me prometeu algumas loucuras de amor na hora que eu estiver disponível. Não estou preocupada com namorado, marido, nem com os meus 25 anos, que completarei daqui há algumas semanas. Meu problema todo é a falta de fé que vem se apossando de meu corpo de uns tempos pra cá, o que tem me feito ficar, muitas vezes, sem um pingo de rumo. As vezes a única coisa que eu queria era abandonar tudo isso aqui, colocar uma mochila nas costas com algumas mudas de roupa, meu notebook, um pouco de dinheiro no bolso e sair viajando pelo mundo... escutando histórias e escrevendo sobre todas elas.
Hoje eu estou sentimental, mas nada que se relacione à falta de alguém. E eu só lembrei que dia era hoje porque vi no Orkut que um colega meu faz aniversário e fiquei pensando: "Caralho, a namorada desse cara deu foi sorte de só precisar comprar um presente... economia é o que há!". Eu quero virar escritora, quero sair sem rumo, beber toda a cerveja que puder, correr de tiro no meio da rua e sair rindo que fiquei viva, quero dançar atéééééé morrer nas festas e no outro dia acordar arrombada da coluna porque, na moral, eu não tenho mais saúde pra isso. Vixe, quero tanta coisa, mas nada que precise de alguém do meu lado que se diga meu namorado, só pra depois eu passar um bom tempo com ele, casar, ter filhos e aquela coisa do coito matrimonial que eu já falei há algum tempo atrás. Mas essa falta de fé... essa falta de vontade... essa falta de ânimo... essa falta de um abraço gostoso de uma pessoa querida me faz tanta falta que...
Na verdade, eu só queria um abraço mesmo. Depois dar um beijo na testa da pessoa, sorrir, agradecer e voltar a viver. Como se essa vontade de ficar aninhada nunca tivesse acontecido. Até me dar vontade de novo de um afago e eu ter um braço amigo pra me sustentar.
Escrito por Débora Andrade às 01h41
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